Eu sei que este espaço é para falar de lutas, ou assuntos relacionados a lutadores, mas estamos em clima de festas, e peço desculpas e licença para falar de um grande lutador, não, você não entendeu, ele era sim, um grande lutador, um trabalhador, porque para sustentar 13 filhos, teve que lutar muito, suar muito e principalmente ralar e trabalhar muito.
A profissão dele, e da qual se orgulhava, era marceneiro e trabalhava no convento que fica no largo do Pari em São Paulo, que é da ordem dos Frades Capuchinhos, aqueles que se vestem de marrom.
Católico, mas católico ao extremo e um dia discordou dos Frades, que pela 1ª vês iriam se envolver com a política e discretamente, estavam apoiando um candidato a presidente do Brasil e o problema é que ele já tinha o seu candidato, e naquele tempo política era uma coisa seria, não é como hoje.
Acontece que o Frei (igual a padre) superior, não satisfeito com a opção política de seu funcionário, mandou-o embora, isso depois de 18 anos de serviços prestados e, pior, mandou-o procurar os seus direitos, justo ele que considerava os padres representantes de Deus na terra, jamais iria à justiça contra os Frades. e o medo de ir pro inferno!!!
A uns 40, 50 anos atrás tinha muito menos gente no planeta e ainda sobravam espaços.
As casa eram grandes, com quintais enormes nos fundos.
O engraçado é que nessa época a preocupação de quem ia alugar uma casa, era o quintal, hoje são as garagens.
A casa do sr. José de Aquino, ficava na rua Itaúna na Vila Maria e tinha um bom quintal e era lá que ele criava umas 50 galinhas e no café da manhã tinha que ter, para cada filho, um ovo estalado, um pãozinho e uma xícara de café com leite.
Isso era um ritual, como a dona Rosa era fraca, tinha bronquite, ele mesmo preparava o café para os “meninos”.
Já faziam uns 15 dias que ele fora mandado embora do emprego, como não havia recebido nada, o dinheiro tinha acabado, ele estava nervoso porque ninguém, na casa, aguentava mais comer galinha e isso o deixava agoniado.
Desde que havia ficado desempregado, tinha ido umas três vezes na igreja da Candelaria e pedido para que Deus o iluminasse.
Naquele sábado havia acabado de chegar da missa quando teve uma idéia.
Chamou seu filho mais velho, e pediu para que escrevesse num papelão:- VENDE-SE FRANGOS.
Foi quando descobriu que os vizinhos, além de serem solidários, sabiam que os frangos que ele criava estavam bem tratados.
Uma hora depois as 50 galinhas já tinham sido vendidas.
Ele então chamou dois filhos, deu um saco para cada um, dinheiro, e pediu para que fossem até o mercado da Vila Maria e que trouxessem quantos frangos pudessem carregar.
Também foram vendidos.
Domingo quando o mercado abriu ele já estava na porta, esperando para ser o primeiro a ser atendido.
Saiu de lá com um engradado na cabeça.
Nunca mais parou de vender frangos!
Junto com a família chegou a ter uma rede de avícolas.
Contei tudo isso como uma homenagem a meu pai, acho que foi a unica que fiz em toda a minha vida e também para falar um provérbio que ouvi do meu ídolo maior Hulk Hogan, “Eu não sei quem colocou a lua lá em cima, mas de uma coisa tenho certeza, absoluta; ela, assim como-a-terra, tem um pó azul, mágico, que te dá poderes para fazer o que quiser, é só correr atrás”. No dia 24 de agosto de 1973, meu pai estava em seu carro, esperando o farol abrir, na rua Cassandoca c/a rua Tobias Barreto, na Mooca, quando uns ladrões em alta velocidade, perseguidos pela Policia, perderam o controle do veiculo atingindo violentamente o dele. Depois de 35 dias em coma, faleceu.






